Resumo: Este trabalho analisa criticamente a implementação das escolas cívico-militares no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, discutindo as contradições entre os discursos de ordem, disciplina e qualidade e os impactos concretos na gestão escolar, na formação dos sujeitos e nas práticas pedagógicas. Inserida em um contexto de fortalecimento de ideologias conservadoras no cenário político-educacional brasileiro, a proposta de militarização escolar é apresentada como resposta às crises educacionais, promovendo narrativas que prometem restaurar a autoridade nas escolas públicas. A análise observa que esta proposta está inserida em um contexto mais amplo de avanço dos grupos conservadores dentro do cenário educacional brasileiro. A pesquisa parte do questionamento sobre os reais objetivos dessas políticas: se visam, de fato, melhorias na educação ou se atuam como instrumentos para disseminar um discurso político alinhado à direita conservadora. Apoiada em teóricos como Michael Apple (2001) e Dermeval Saviani (2007), a análise busca compreender que tipo de educação está sendo construída uma que forma sujeitos críticos e conscientes de seus direitos ou uma que prioriza a obediência e o alinhamento ideológico. A metodologia adotada é qualitativa e exploratória, com base em levantamento bibliográfico, análise documental e manifestações da população local diante das políticas públicas propostas por lideranças políticas da região. Os dados levantados apontam para consequências como a limitação da autonomia pedagógica, a imposição de normas rígidas que enfraquecem a pluralidade e a democracia no ambiente escolar, além da desvalorização de práticas que incentivem o pensamento crítico dos estudantes e do silenciamento das vozes de professores e comunidades escolares. Esses dados apontam que a militarização escolar defendida não pode ser entendida como a única solução para os desafios educacionais enfrentados, mas como parte de disputas ideológicas e partidárias que envolvem o controle nos processos de formação e sobre o sentido e desenvolvimento da educação pública. Conclui-se destacando a urgência de ampliar o debate público e acadêmico sobre esse modelo educacional, reafirmando o compromisso com uma escola verdadeiramente democrática, plural e voltada à construção de sujeitos autônomos, críticos e conscientes de seu papel na transformação social.
Referências: APPLE, Michael W. Educação e poder. Porto Alegre: Artmed, 2001. SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2007. MARTINS, Emerson de Mello. Escolas cívico-militares no Rio Grande do Sul: uma análise crítica da militarização da educação pública. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE, 18., 2019, Curitiba. Anais [...]. Curitiba: PUCPR, 2019. Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2019/31536_16186.pdf. Acesso em: 01 jul. 2025.
Nível de Ensino: Ensino Superior
Área do Conhecimento: Extensão - Educação
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