MULHERES CONSERVADORAS NOS QUADRINHOS SOBRE AS DITADURAS CIVIL-MILITARES NOS PAÍSES DO CONE SUL: OLHARES SOBRE O FEMININO


Resumo: As ditaduras civil-militares de segurança nacional, implementadas nos países da América Latina entre as décadas de 1960 e 1970 por meio de violentos golpes de Estado, deixaram um legado de autoritarismo, violência e impunidade. Embora significativamente sustentados por setores civis, esses regimes costumam ser lembrados com ênfase nas figuras militares e masculinas, enquanto o papel desempenhado por mulheres, destacando as conservadoras, continua pouco explorado. O presente projeto tem como objetivo analisar como mulheres conservadoras são representadas em Histórias em Quadrinhos que abordam as Ditaduras Civil-Militares da década de 1960 e 1970 no Cone Sul. O tema se justifica pela relevância de compreender o papel desempenhado por setores civis, especialmente por mulheres defensoras de valores como religião, família e pátria, no apoio e consolidação desses regimes autoritários. Apesar de significativa, essa participação ainda é pouco explorada pelos estudos históricos e de gênero. A pesquisa investiga a construção e representação dessas personagens femininas em dois HQs: “Os Fantasmas de Pinochet” (2011), que trata da ditadura chilena, e “A Herança do Coronel” (2009), que aborda os efeitos da ditadura argentina. A metodologia adotada incluiu revisão bibliográfica sobre Ditaduras no Cone Sul, Terrorismo de Estado, História em Quadrinhos, Gênero e Memória, além da realização de fichamento analítico das obras escolhidas. A análise concentrou-se nas cenas com personagens femininas conservadoras, observando aspectos textuais, visuais e contextuais. Os resultados iniciais indicam que as mulheres conservadoras são retratadas como figuras ativas na sustentação das ditaduras. Em “A Herança do Coronel”, a mãe do protagonista justifica a violência do regime e defende as ações do marido torturador, dando aos opositores a responsabilidade pelos abusos. Já em “Os Fantasmas de Pinochet”, a esposa e a mãe do ditador não apenas apoiam, mas incentivam a repressão, utilizando discursos desumanizadores. As HQs analisadas demonstram que essas mulheres aparecem como participantes influentes e importantes na manutenção dos regimes, o que contribui para uma compreensão mais ampla do apoio civil às ditaduras e do papel político de mulheres conservadoras nesse contexto.

Referências: BAUER, Caroline Silveira; NICOLAZZI, Fernando Felizardo. O historiador e o falsário: Usos públicos do passado e alguns marcos da cultura histórica contemporânea. Varia História, v. 32, p. 807-835, 2016. FERNANDES, Ananda Simões. A reformulação da Doutrina de Segurança Nacional pela Escola Superior de Guerra no Brasil: a geopolítica de Golbery do Couto e Silva. Antíteses, v. 2, n. 4, p. 831-856, 2009. PADRÓS, Enrique Serra. Terrorismo de estado e luta de classes: repressão e poder na América Latina sob a doutrina de segurança nacional. Simpósio Nacional de História, v. 24, 2007. Disponível em: http://www.eeh2014.anpuh-rs.org.br/resources/anais/anpuhnacional/S.24/ANPUH.S24.0755.pdf Acesso em 16 de janeiro de 2023.

Nível de Ensino: Ensino Médio e Ensino Médio Técnico
Tem protótipo: Não
Necessita de mesa: Sim

Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas

Integrantes: