Meninas nas Exatas: diálogos sobre gênero, estereótipos e pertencimento


Resumo: A desigualdade de gênero continua muito presente na sociedade. Os papéis de gênero são uma construção social e moldam os comportamentos e expectativas de meninos e meninas desde a infância, influenciando as formas de estímulo e incentivo de suas capacidades. No ambiente acadêmico das ciências exatas é comum que as mulheres sejam subestimadas e menosprezadas, pois, culturalmente, essas áreas são consideradas masculinas. Esse comportamento contribui para a discriminação, o preconceito e a desigualdade de gênero nessas áreas. Esta pesquisa teve como objetivo investigar as percepções de meninas do Ensino Médio sobre a presença feminina nas ciências exatas, especialmente na Matemática, buscando compreender os fatores que influenciam sua relação com essas áreas. O estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e participativo, com base na metodologia de grupos focais. Participaram quatro estudantes do 3º ano do Ensino Médio Integrado do IFRS Campus Osório, duas do curso de Administração e duas de Informática, selecionadas por critério de matrícula e participação voluntária. A coleta de dados foi realizada em um encontro presencial, com duração média de 1h40, conduzido pela pesquisadora e pela bolsista do projeto. Debateram-se temas como estereótipos de gênero na ciência, sentimentos em relação à Matemática e representatividade feminina nas áreas exatas. As falas foram gravadas mediante autorização, sendo transcritas e analisadas com base na análise temática de Bardin (2011), considerando categorias como fatores sociais, autoimagem, apoio de docentes, inspiração e pertencimento. Os resultados da pesquisa revelam o impacto dos estereótipos de gênero na maneira como as alunas se relacionam com as áreas exatas. Constata-se uma supervalorização dos meninos em disciplinas como Matemática, o que compromete a autoconfiança das alunas. Desde cedo, elas são direcionadas a atividades de cuidado, enquanto os meninos são estimulados ao raciocínio lógico. Tal construção social influência diretamente nas decisões acadêmicas, contribuindo à sub-representação feminina nas áreas exatas, como se observa em cursos técnicos como Informática no IFRS Campus Osório, evidenciando que esse afastamento é resultado de construções sociais. Nesse sentido, compreender as relações de gênero no ambiente escolar e adotar práticas para mitigar as desigualdades de gênero torna-se essencial para promover a equidade.

Referências: Guedes Gondim, S. M., (2002). Grupos focais como técnica de investigação qualitativa: desafios metodológicos. Paidéia, 12(24), 149-161.

Nível de Ensino: Ensino Médio e Ensino Médio Técnico
Tem protótipo: Não
Necessita de mesa: Não

Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas

Integrantes: