Resumo: O presente trabalho investiga as relações entre o brincar e a cultura local em uma turma de Educação Infantil, tendo como ponto de partida experiências etnográficas registradas em diário de campo, em uma pesquisa realizada em uma turma de Jardim A, de uma escola de Educação Infantil localizada na cidade de Feliz, Rio Grande do Sul, região historicamente marcada pela colonização alemã. O objetivo da pesquisa é compreender de que forma as práticas de brincar se entrelaçam com elementos da cultura local e como as crianças, por meio dessas experiências, constroem sentidos e produzem cultura. A relevância do estudo está na valorização das infâncias como produtoras de significados, que ressignificam cotidianamente elementos culturais, como o uso do dialeto alemão, a escolha de brinquedos e a reprodução de práticas sociais, como a oferta simbólica de chimarrão (Corsaro, 2011). A metodologia adotada foi a observação participante, embasada nos pressupostos da etnografia (Geertz, 1978), permitindo uma escuta atenta das interações e narrativas infantis em um contexto educacional do sul do Brasil. Os resultados parciais evidenciam que o brincar não é uma atividade isolada ou padronizada, mas está profundamente conectado às vivências, histórias familiares e práticas culturais do território onde a escola está inserida. Foram observados episódios em que as crianças reinterpretam símbolos locais, como cores, alimentos e falas, revelando-se sujeitos ativos na construção de significados. A linguagem, nesse contexto, surge como elemento central de representação e interação, especialmente nas situações em que as crianças utilizam o dialeto alemão em suas brincadeiras. As considerações finais apontam que as práticas de brincar, quando analisadas sob a perspectiva cultural, revelam a potência das infâncias na produção de sentidos, desafiando concepções adultocêntricas e padronizadas sobre a infância (Sarmento, 2004). O estudo reforça a importância de uma escuta sensível dos educadores às expressões culturais das crianças, reconhecendo-as como sujeitos históricos e sociais, cujas práticas do brincar tecem, cotidianamente, complexas teias de significados (Geertz, 1978) que enriquecem o ambiente escolar. Palavras-chave: brincar; cultura local; etnografia; infância.
Referências: CORSARO, William A. Sociologia da infância. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1978. SARMENTO, Manuel Jacinto (Coord.). As culturas da infância nas encruzilhadas da 2ª modernidade. In: SARMENTO, Manuel Jacinto; CERISARA, Ana Beatriz (Org.). Crianças e miúdos: perspectivas sociopedagógicas sobre infância e educação. Porto: Asa, 2004.
Nível de Ensino: Pós-Graduação
Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas
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