"ELA NÃO FALA, MAS EU ENTENDO O QUE ELA DIZ": OS SIGNIFICADOS E AS RELAÇÕES ENTRE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA E SEUS PARES NO COTIDIANO DA ESCOLA


Resumo: Esta pesquisa teve como objetivo compreender os significados dos encontros entre crianças com deficiência e seus pares em uma instituição de Educação Infantil no município de Maquiné/RS. Parte-se dos pressupostos teóricos que reconhecem a criança como sujeito histórico, de direitos e produtora de cultura(Brasil, 2009), e a infância como uma construção social e histórica, atravessada por múltiplas culturas e experiências(Corsaro, 2004). As relações estabelecidas no cotidiano são compreendidas como permeadas por significados partilhados, produzidos nas interações entre crianças e nas relações com os adultos. A cultura é concebida como um sistema simbólico compartilhado, que se expressa nas práticas e nos modos de agir do cotidiano(Geertz, 1989). Nesse sentido, o espaço da Educação Infantil é entendido como território de construção de significados e aprendizagens. O cotidiano, por sua vez, é assumido aqui como espaço de invenção, resistência e criação de práticas(Certeau, 1998), sendo justamente nas brechas da rotina escolar que as crianças produzem sentidos, reorganizam regras e criam possibilidades de ser e estar com os outros. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza etnográfica(Geertz, 1989), com enfoque nas experiências infantis. O trabalho de campo ocorreu entre os meses de fevereiro e dezembro de 2024, sendo conduzido por meio da observação participante(Cohn, 2005) e do uso do diário de campo(Winkin, 1998), buscando uma escuta atenta e uma presença sensível no contexto investigado. A etnografia com crianças permite interpretar os significados produzidos por elas a partir de suas próprias perspectivas, reconhecendo-as como sujeitos ativos e produtores de cultura. No contexto da pesquisa, buscou-se refletir especialmente sobre as relações das crianças com deficiência nos momentos de brincadeira. Observou-se o quanto, nas interações com seus pares, elas constroem cultura de pares(Corsaro, 2009), elaborando normas, saberes e significados singulares por meio das interações, muitas vezes reorganizando os espaços e tempos para garantir que a brincadeira aconteça. Essas relações nos revelam não apenas formas de inclusão, mas também a potência das crianças em produzir pertencimento, participar, criar vínculos e ressignificar as experiências por meio do brincar. Palavras-Chave: Etnografia com crianças; cultura de pares; deficiência.

Referências: CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 1998. CORSARO, William A. Sociologia da infância. Tradução de Heloisa Pimenta. Porto Alegre: Artmed, 2009. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Tradução de Gilson César Cardoso de Souza. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

Nível de Ensino: Pós-Graduação

Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas

Integrantes: