CORPOS EM FREQUÊNCIA: RITUAIS, SOM E PERTENCIMENTO NOS FESTIVAIS TRANCE DO RIO GRANDE DO SUL


Resumo: Este trabalho investiga como os festivais trance realizados no Rio Grande do Sul funcionam como rituais contemporâneos de reconfiguração identitária, territorial e espiritual, entrelaçando dinâmicas globais e locais. Considerando tais eventos como espaços performativos de reinvenção cultural e subjetiva, busca-se compreender os elementos simbólicos, estéticos e sonoros que compõem a experiência ritual trance e os sentidos de pertencimento e espiritualidade atribuídos pelos participantes. O objetivo geral é analisar como esses festivais operam como rituais sensíveis e coletivos que articulam corporeidade, espiritualidade e territorialidade, contribuindo para a construção de modos alternativos de vida e de relação com o corpo, o outro e a natureza. A relevância do estudo está em revelar fenômenos socioculturais emergentes que apontam para práticas de resistência simbólica e invenção de mundos, tensionando os limites entre cultura alternativa e indústria cultural. A metodologia é qualitativa, de base etnográfica, fenomenológica e musicológica, e utiliza observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise de registros sonoros e visuais. Os resultados parciais indicam que a música eletrônica e os ambientes imersivos dos festivais atuam como dispositivos de mediação ritual, promovendo experiências estéticas e espirituais intensas, em que o corpo é atravessado por sentidos de comunhão, catarse e transcendência. Identificam-se também formas plurais de espiritualidade e pertencimento, associadas a uma ética do cuidado, da coletividade e da reconexão com o território. Como considerações finais, aponta-se que os festivais trance instauram territórios efêmeros de experimentação sensível e coletiva, nos quais se constroem identidades fluidas e redes afetivas que desafiam paradigmas tradicionais de espiritualidade, cultura e desenvolvimento.

Referências: FONTANARI, Ivan Paolo de Paris. Rave á margem do Guaíba: música e identidade jovem na cena eletrônica de Porto Alegre. Porto Alegre: PPGAS/UFRGS, Dissertação de Mestrado,2003. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/3703. Acesso em: 2. Jul. 2025 TURNER, Victor. O processo ritual: estrutura e antiestrutura. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2005. HAESBAERT, R. O mito da desterritorialização: do "fim dos territórios" à multiterritorialidade. Bertrand Brasil, 2004.

Nível de Ensino: Pós-Graduação

Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas

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