Resumo: Nestes caminhos da ancestralidade, daremos mergulhos profundos nas águas de Oxum, em busca de conhecimentos ancestrais para ressignificarmos as práticas pedagógicas já existentes. A Escola Ancestral busca as artes como dispositivo de luta. É a escola que sempre me moveu como professora do ensino básico, de 1987 até 2017, na RME de Porto Alegre, até os dias atuais, nas minhas andanças e cheganças. A escola que (re)produz o racismo, que (re)produz (de)formação, silêncios, exclusões, dores, perversidades com crianças e adolescentes negras(os), segue sendo um aparato ideológico do Estado, e servindo de correia de transmissão para as violências do capital, do racismo, do conservadorismo, moldando as mentes, corpos e corações, para aniquilar vidas, desejos e sonhos. A escola que sonho e desejo construir tem as artes como dispositivo da mudança, tem muito Axé, tem esperança, tem barulho, balbúrdia, dança, teatro, movimento, multicores, lápis de cores de muitas peles, encantamento, conhecimentos, pertencimentos, e muito mais... Trago como uma referência de boas práticas, a Bárbara Carine Soares Pinheiro, professora doutora da UFBA, diretora da Escola Maria Felipa e autora da obra Como ser um(a) educadora antirracista (Editora Planeta, 2023). Ela nos aponta que a educação antirracista traz para o centro o enfrentamento e o combate a hierarquização de pessoas por meio do artefato da raça. Só de forma coletiva conseguiremos, resgatar as boas práticas, analisar quais são as disputas nos territórios escolares, e a realidade de cada território, portanto precisaremos mergulhar fundo nas águas da Oxum, abrir as janelas dos conhecimentos, desvelar e descortinar onde pisamos, vivemos, sonhamos, lutamos, onde e como queremos transformar e realizar nossas utopias e novas realidades. Precisamos reinventar a escola, por fora, por dentro, por cima, por baixo, na verdade nas entranhas, as crianças e adolescentes negros e negras que estão sufocadas(os) com tanto racismo, com tanta fumaça, com tanta mordaça, com tanta solidão, com tantos silêncios... A invenção da Escola Ancestral como território de vivências transformadoras de combate ao racismo, terá o compromisso de contribuir com a qualidade do trabalho realizado no contexto da Educação Básica, sobretudo, no que se refere à docência nas escolas.
Referências: CORAZZA, Sandra. Para uma filosofia do Inferno na Educação: Nietzsche, Deleuze e outros malditos afins. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? 1991. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 1997. DIAS, Taís R.; LOPONTE, Luciana G. Gênero e ensino de Artes Visuais: desafios, armadilhas e resistências. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 27, n. 3, e56280, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/FWvP4Bc7FHBQ7nsb7v6gbpg/?format=pdf. Acesso em: 10 abr. 2025. Lei 10.639/03: a atuação das Secretarias Municipais de Educação no ensino de história e cultura africana e afrobrasileira / [organização Beatriz Soares Benedito, Suelaine Carneiro, Tânia Portella]. -- São Paulo, SP. Instituto Alana, 2023. http://bit.ly/pesquisa-lei-10639 PINHO, Osmundo. Cativeiro: antinegritude e ancestralidade. 1. ed. Salvador: Editora Selo, 2021. SODRÉ, Muniz. O fascismo da cor: uma radiografia do racismo nacional. Petrópolis: Revista Ciências Humanas - UNITAU - ISSN 2179-1120 UNITAU, Taubaté/SP - Brasil, v. 13, n 1, edição 26, p. 120 - 123, janeiro/abril 2020.
Nível de Ensino:
Ensino Fundamental
Tem protótipo:
Sim
Necessita de mesa:
Não
Área do Conhecimento: Extensão - Educação
Integrantes: